Guilherme Benchimol, fundador da XP Inc., afirmou em entrevista durante o Brazil Week, em Nova York, que o Brasil voltou ao radar internacional graças a fatores estruturais — uma democracia consolidada e abundância de energia. Mas, destacou, esses atributos perdem força diante de um problema central: o ambiente fiscal.

Segundo Benchimol, o entrave vem da combinação entre elevada carga tributária e uma relação dívida-PIB que reduz a confiança do investidor estrangeiro. Ele apontou que aplicadores podem até trazer dólares e comprar reais, mas a ausência de correção fiscal aumenta o risco de retirada de capitais com perdas por desvalorização e volatilidade cambial.

O diagnóstico do executivo coincide com o discurso de outros empresários no evento e traz implicações práticas para a política econômica: sem medidas claras de disciplina fiscal e consolidação da dívida, o país pode continuar a pagar prêmio por risco mais alto, encarecer crédito e ver a competitividade reduzir-se. Essa agenda exige opções políticas difíceis, que têm custo político imediato mas preservam espaço fiscal no médio prazo.

A mensagem de Benchimol deixa um recado objetivo ao governo e ao Congresso: atrair investimento externo não depende só de bons ativos — exige sinalização crível de ajuste. Para manter a janela de oportunidade aberta, autoridades terão de priorizar reformas e transparência fiscal, sob pena de transformar interesse internacional em oportunidade perdida.