Os benefícios voltados ao bem‑estar deixaram de ser um extra e passaram a figurar como requisito básico nas contratações, afirma Felipe Calbucci, CEO da TotalPass. Segundo o executivo, menções a programas de bem‑estar já aparecem rotineiramente em anúncios de vagas, sinalizando que a oferta deixou de ser apenas um diferencial para virar elemento de competitividade no mercado de trabalho.

Além de atrair candidatos, a oferta desses benefícios impacta a retenção. A plataforma da TotalPass permite incluir até três dependentes, o que cria um laço de retenção indireto: familiares se tornam um fator de pressão para que o colaborador permaneça na empresa e não perca o acesso ao serviço. Para além do aspecto emocional, isso transforma benefícios em componente salarial implícito que pesa na escolha do empregado.

A empresa conduz projetos‑piloto que apontam correlações entre frequência a academias e menor utilização do plano de saúde, menos faltas e ganho de produtividade. Calbucci alerta, porém, que os resultados ainda não são conclusivos: há necessidade de amostragens mais robustas e segmentação por perfil para transformar indícios em evidência científica. A TotalPass afirma estar em processo de consolidação desses casos.

Do ponto de vista empresarial, a mudança implica trade‑offs claros. Há potencial para redução de custos médicos no médio prazo, mas a adoção generalizada aumenta despesas imediatas e pressiona pequenas e médias empresas que disputam talentos com grandes grupos. Sem estudos definitivos, gestores enfrentam dilema entre investir em benefícios que fortalecem a retenção e preservar a disciplina fiscal da folha. O mercado, por ora, reage: empresas que não se adaptam correm risco de perder competitividade no recrutamento.