A Berkshire Hathaway fez um ajuste substancial no seu portfólio no primeiro trimestre. Segundo o formulário 13-F e informações do 10-Q, a empresa aumentou sua posição na Alphabet de quase 18 milhões para quase 58 milhões de ações — uma fatia avaliada em cerca de US$ 23 bilhões — e abriu uma nova posição de quase 40 milhões de ações na Delta, atualmente em torno de US$ 3 bilhões. Ao mesmo tempo, vendeu um conjunto de participações, entre elas Mastercard, Visa, Aon e UnitedHealth Group, e reduziu significativamente sua exposição na Chevron, em cerca de 46 milhões de ações, para 84 milhões.

O trimestre foi um dos mais ativos já registrados no portfólio da Berkshire: foram cerca de US$ 24 bilhões em vendas e US$ 16 bilhões em compras, segundo o relatório. A intensidade das operações coincide com a saída do gestor Todd Combs, que deixou a empresa para assumir cargo no JPMorgan Chase, e com a crescente autoridade do gestor Ted Weschler, que passou a administrar aproximadamente 6% do portfólio de ações. Greg Abel, o CEO que sucedeu Warren Buffett, agora supervisiona todo o portfólio enquanto Buffett permanece chairman.

Os movimentos têm efeitos práticos no mercado: as compras em Delta fizeram as ações subirem cerca de 3% no after-market, e a posição elevada em Alphabet transforma a holding num acionista de peso em Big Tech. Pequenas entradas em Macy’s (3 milhões de ações, ~US$ 55 milhões) e a triplicação na participação do New York Times para 15 milhões de ações (mais de US$ 1 bilhão) mostram que a realocação não foi apenas destinação para grandes blocos, mas também ajuste seletivo em ativos variados. A redução em Chevron sugere, ao menos em termos de exposição, menor convicção em energia integrada no trimestre.

Para o mercado e para investidores, a operação sinaliza duas coisas: primeiro, uma consolidação de decisões de investimento após mudanças na equipe gestora; segundo, uma disposição da Berkshire em concentrar apostas significativas em nomes específicos. Resta acompanhar os próximos relatórios para ver se a tendência se confirma — se Abel e Weschler mantiverem esse ritmo, as posições poderão redesenhar a influência da Berkshire em setores chave da economia global.