O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta terça que a China tem se mostrado uma parceira global pouco confiável no atual conflito no Oriente Médio. Segundo ele, Pequim estaria acumulando suprimentos de petróleo e impondo limitações à exportação de determinados produtos — padrão que, na visão americana, lembra a retenção de insumos observada durante a pandemia.

Bessent disse ter tratado do tema diretamente com autoridades chinesas e evitou responder de forma direta se a disputa afetará a visita do presidente Donald Trump a Pequim, programada para o final do mês. Ao mesmo tempo, o secretário destacou que, no topo, existe uma relação de trabalho estável entre Trump e Xi Jinping e que a comunicação entre os presidentes tem sido mantida.

Do ponto de vista econômico, a acusação acende alerta: estoques retidos e controles de exportação aumentam o risco de pressão nos preços do petróleo e elevam a incerteza para cadeias de suprimento já tensionadas. Setores dependentes de insumos chineses podem enfrentar gargalos pontuais, enquanto operadores e governos recalculam riscos de oferta, impacto que se reflete em custos de hedge e em decisões fiscais e empresariais.

Politicamente, a manifestação de um alto funcionário do Tesouro complica a narrativa de normalidade nas relações bilaterais — há uma tensão entre a retórica de estabilidade e as críticas públicas a práticas comerciais chinesas. A declaração sinaliza que Washington acompanhará movimentos que afetem a oferta global e exige que a interlocução diplomática combine gestos de estabilidade com respostas concretas àqueles que, na leitura americana, prejudicam o funcionamento do mercado.