O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, saiu em defesa da decisão tomada no mês passado de apoiar o iene, argumentando que uma desordem cambial no Japão poderia ter repercussões diretas sobre as taxas de juros americanas. Em carta enviada à senadora Elizabeth Warren, ele afirmou que a volatilidade extrema na moeda japonesa corre o risco de desencadear movimentos forçados em mercados de títulos.

Bessent ressaltou que o Japão é um grande detentor de Treasuries e que vendas apressadas poderiam amplificar a alta dos juros nos EUA, com efeitos sistêmicos. Para justificar a ação, o secretário citou a Seção 5302, norma que, segundo ele, autoriza o chefe do Tesouro, com aprovação presidencial, a intervir em apoio a arranjos cambiais ordenados quando há risco de iliquidez aguda.

A carta também teve tom contundente contra as críticas de Warren: Bessent procurou distinguir operações de compra de moeda de empréstimos e questionou a compreensão da senadora sobre os mecanismos do mercado. Como exemplo de uso preventivo de recursos, ele evocou um episódio na Argentina, em que o Tesouro americano recorreu a instrumentos para evitar que uma crise local se expandisse regionalmente.

Além do debate técnico, a defesa pública da intervenção abre um espaço político: a Casa Branca e o Tesouro deverão suportar cobrança por transparência e supervisão no Congresso, especialmente se eventuais repercussões nos juros americanos se materializarem. A posição de Bessent tenta transformar uma ação preventiva em argumento de responsabilidade — mas também pode alimentar críticas sobre a extensão do poder executivo em questões cambiais.