O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou em evento em Washington que a dinâmica subjacente da economia americana permanece robusta e que o Produto Interno Bruto pode superar 3% ou mesmo 3,5% em 2026. A declaração, feita no WSJ Opinion Live, ressaltou confiança no motor doméstico apesar dos choques associados ao conflito entre EUA, Israel e Irã.

Além do panorama de crescimento, Bessent comentou a questão das tarifas que vinham sendo impostas sob decreto presidencial: à luz de decisão da Suprema Corte em fevereiro, que concluiu que o então presidente Donald Trump excedeu sua autoridade ao aplicar tarifas globais por meio de uma lei de emergência, o secretário indicou que esses tributos poderiam ser revertidos aos níveis anteriores até julho.

A combinação entre maior crescimento esperado e a incerteza sobre regras comerciais traz implicações claras. Uma economia mais aquecida tende a complicar o dilema da política monetária — pressiona por vigilância sobre inflação e pode afetar expectativa de juros — ao mesmo tempo em que o vaivém sobre tarifas adiciona volatilidade às cadeias de comércio e ao planejamento de empresas e governos estrangeiros.

Para parceiros comerciais, incluindo países exportadores de commodities, o recuo ou a retomada de tarifas acresce um componente político-econômico no curto prazo. O prazo apontado por Bessent — julho — cria um calendário que exige resposta de setores afetados e fornece um termômetro para a evolução da estratégia americana sobre comércio e proteção, com efeitos diretos e indiretos sobre mercados globais.