Em audiência na Câmara dos Representantes, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, reconheceu que os preços da gasolina subiram em razão do confronto envolvendo o Irã, mas pronunciou-se no sentido de que o choque sobre os custos de energia tende a ser temporário. A avaliação foi apresentada depois de perguntas insistentes de parlamentares preocupados com impacto doméstico.
Bessent evitou, no entanto, transformar a tensão em narrativa de guerra: disse que o episódio foi interrompido e se esquivou de classificar os Estados Unidos como em conflito aberto com o país persa. A prudência no discurso busca reduzir nervosismo nos mercados, mas a admissão explícita da pressão sobre combustíveis revela vulnerabilidade diante de choques externos.
A Casa Branca, segundo o secretário, pediu ao Congresso que avance com medidas ligadas à eliminação do imposto sobre combustíveis, sem detalhar a proposta. A iniciativa tem potencial efeito político imediato — aliviaria preços na ponta — e custo fiscal, o que exige fiscalização sobre a fonte de compensação e sobre o impacto nas contas públicas.
No campo fiscal, Bessent reafirmou que a estratégia de emissão de dívida será mantida de forma “regular e previsível” e ressaltou a necessidade de demonstrar credibilidade aos compradores de títulos, diante do elevado volume de financiamento dos déficits federais. A mensagem é dirigida aos mercados: os EUA não podem descuidar da confiança que sustenta a demanda por títulos.
A declaração de caráter temporário acende alerta político: mesmo sem escalada, choques energéticos pressionam inflação e formam tema sensível para o eleitorado. Para o governo, o dilema é claro — conciliar resposta imediata ao consumidor com preservação da disciplina fiscal e da confiança dos investidores, sob risco de custo político e aumento do custo do crédito.