O encontro marcado para domingo em Manhattan entre o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice‑primeiro‑ministro chinês He Lifeng tem como objetivo aparar arestas para a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping. Além de Bessent e He, participará o representante comercial norte‑americano; o foco são três temas sensíveis: o futuro da trégua tarifária que vence em 10 de novembro, o fluxo de terras raras e outros minerais críticos e regras — e salvaguardas — para a inteligência artificial.

O histórico recente explica a cautela: desde a trégua de novembro de 2025, em Busan, há promessas de redução de tarifas sobre bens não estratégicos e compromissos chineses para elevar compras agrícolas em cerca de US$ 17 bilhões por ano e adquirir mais de 200 aeronaves da Boeing. Washington, porém, considera insuficiente o restabelecimento do fornecimento de minérios e tem adotado medidas tarifárias sob novos instrumentos, além de manter investigações sobre excesso de capacidade industrial na China. Decisões judiciais e medidas administrativas dos EUA também alteraram o quadro aplicado às tarifas anteriores.

Analistas e negociadores esperam avanços limitados: a tendência é por acordos pontuais que sinalizem coordenação e contenham tensões, em vez de soluções estruturais. Para a agenda da IA, a discussão inclui tanto modelos de acesso aberto quanto fechado, diante de falhas de segurança relatadas; nas matérias-primas, a demanda é por garantias de oferta que sustentem cadeias tecnológicas. O formato e a amplitude das medidas serão condicionados por cálculos políticos em ambos os lados — e pela necessidade de apresentar algo concreto antes da cúpula presidencial.

Do ponto de vista econômico, um resultado tímido evita choque imediato nos mercados e reduz o risco de escalada antes do encontro entre Trump e Xi, mas deixa pendências relevantes para semicondutores, defesa de propriedade intelectual e indústrias que dependem de terras raras. Se as promessas chinesas de fluxo de minérios não se materializarem, a incerteza sobre fornecimento e preços permanecerá, pressionando empresas e governos a buscar alternativas e aumentando o custo de mitigação para cadeias globais de valor.