Em carta datada de 27 de agosto, publicada no X, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, alertou que oscilações desordenadas do iene podem forçar liquidações massivas de posições e, assim, desestabilizar os mercados internacionais. Segundo ele, esse tipo de turbulência tem potencial de ampliar os custos de financiamento para famílias e empresas americanas caso se espalhe pelos mercados globais.

O alerta surge num momento em que o iene voltou a perder terreno frente ao dólar, apesar das expectativas de alta de juros no Japão. Washington e Tóquio fizeram uma intervenção conjunta em 31 de julho — uma operação rara — em que o Tesouro norte-americano trocou ativos do seu Fundo de Estabilização Cambial (ESF) por ienes, na tentativa de conter uma onda de vendas que levou a moeda a níveis próximos de mínimas históricas.

Bessent mencionou ainda precedentes do uso do ESF em situações de iliquidez curta, citando operações que buscaram conter contágios regionais. A iniciativa expõe um dilema para autoridades: agir para preservar estabilidade financeira evita crises imediatas, mas também levanta incógnitas sobre efeitos colaterais, risco de moral hazard e pressão política por intervenções semelhantes no futuro.

Para mercados e formuladores de política, a lição é dupla: a coordenação internacional pode ser necessária para limitar contágios, mas a volatilidade persistente do iene complica narrativas sobre normalização das políticas monetárias e pode traduzir-se em custos reais de crédito. Investidores agora passam a monitorar de perto movimentos do Bank of Japan e sinais do mercado de juros nos EUA — indicadores que devem guiar os próximos passos das autoridades.