A maior exchange do mundo, Binance, sofreu um ataque na quinta-feira (29) que drenou mais de US$ 6 bilhões em cerca de 20 minutos, segundo relatórios do setor. Aproximadamente metade desses recursos estava em stablecoins; os emissores desses ativos conseguiram congelar os fundos.
O restante dos valores estava atrelado a tokens como bitcoin e ether, que, por não terem governança centralizada, são provavelmente irrecuperáveis, avaliam pesquisadores do mercado cripto. Estima-se que as perdas diretas para a Binance possam ultrapassar US$ 3 bilhões, embora isso seja pequeno frente aos US$ 155 bilhões em ativos totais sob custódia da exchange.
os fundos dos usuários estão seguros
A empresa suspendeu depósitos e saques e afirmou que cobrirá as perdas com seu fundo de emergência e outros ativos. A Binance ressaltou que "os fundos dos usuários estão seguros". Pesquisadores alertam, porém, que dependência de reservas não resolve vulnerabilidades operacionais.
Especialistas citaram sinais de movimento automatizado e técnicas de lavagem inéditas. "O fato de a Binance poder ter o balanço patrimonial para absorver os danos é encorajador, mas eu não confundiria solidez financeira com segurança operacional". Também foi observado que "padrões de lavagem que não havíamos visto antes" e que "milhares de transações em um curto período sugerem que os atacantes estão usando automação para obscurecer o rastro dos fundos".
O episódio reacende dúvidas sobre a exposição dos investidores a plataformas fora das regras rígidas que regem bancos e instituições financeiras. Em paralelo, outra plataforma, a Polymarket, sofreu saques não autorizados que afetaram cerca de 700 usuários e somaram US$ 2,7 milhões; a empresa promete ressarcir clientes. No histórico da Binance, pesa ainda a confissão de culpa em 2023 por violações relacionadas à lavagem de dinheiro e a prisão temporária do fundador Changpeng Zhao, que depois recebeu perdão presidencial, mas segue proibido de dirigir a empresa.
O fato de a Binance poder ter o balanço patrimonial para absorver os danos é encorajador, mas eu não confundiria solidez financeira com segurança operacional