A retomada do tráfego de petróleo pelo Estreito de Ormuz esbarra agora em um problema menos óbvio: a bioincrustação. Com meses de imobilização em águas quentes do Golfo Pérsico, centenas de petroleiros acumulam cracas, mexilhões, amêijoas e algas que se fixam ao casco e às hélices, impedindo que as embarcações naveguem até que o acúmulo seja removido.

A dimensão do trabalho é pesada. Superpetroleiros com mais de 1.000 pés de comprimento e cerca de 150 pés de largura têm cerca de 150.000 pés quadrados de casco a limpar. Equipes de cinco a seis mergulhadores precisam dedicar quatro a cinco horas por embarcação usando raspadores manuais, lavadoras de alta pressão e, em casos de incrustação mais resistente, lixadeiras ou limpadores hidráulicos a bordo.

O impacto econômico é direto. A demanda repentina por limpeza elevou honorários para a faixa de cinco dígitos por navio, segundo relatório da indústria e organizações como a BIMCO. Ao mesmo tempo, a bioincrustação reduz a eficiência hidrodinâmica das embarcações e eleva o consumo de combustível — que responde por cerca de metade das despesas operacionais de um navio, segundo consultoria vinculada ao mercado de seguros marítimos. Revestimentos danificados e hélices comprometidas também podem gerar problemas regulatórios e de cobertura por seguradoras.

No contexto de um choque de oferta já causado por meses de guerra, esse gargalo logístico amplia custos e pode postergar a normalização do fornecimento. Há potencial para repasses nos fretes e impacto sobre preços ao consumidor, além de pressão sobre prazos e cadeias logísticas. A solução exige capacidade técnica e coordenação internacional para acelerar limpezas sem comprometer a segurança e a conformidade ambiental.