A farmacêutica Biomm apresentou lucro líquido de R$ 9,7 milhões no primeiro trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 11,7 milhões registrado no mesmo período do ano anterior. A receita líquida saltou 134%, para R$ 92,5 milhões, enquanto o Ebitda consolidado passou para R$ 12,4 milhões, ante resultado negativo de R$ 10,7 milhões um ano antes. A companhia atribui o salto principalmente às vendas de insulinas.

O balanço destaca desempenho de Wosulin (insulina humana) no mercado público e o avanço de Glargilin (insulina glargina) no mercado privado, por meio de distribuidores e grandes redes de farmácias. A Biomm também ressaltou investimentos em capacidade produtiva e tecnologia e a consolidação da produção nacional de insulina glargina na planta de Nova Lima. Parcerias para o desenvolvimento produtivo com instituições públicas foram citadas como fator-chave.

O salto operacional indica ganho de escala e melhora na eficiência, traduzidos em margens positivas. Ainda assim, a recuperação permanece concentrada no segmento de insulinas, o que deixa a empresa exposta a riscos regulatórios e a oscilações em compras governamentais e na concorrência de preços no varejo. A manutenção do crescimento dependerá da capacidade de ampliar o portfólio e de sustentar a penetração no mercado privado.

Para o setor, o resultado reforça a capacidade de produção local e a tendência de substituição de importações em produtos estratégicos. Para investidores e gestores, porém, a leitura é dupla: redução do risco operacional no curto prazo, mas necessidade de disciplina para transformar o ganho pontual em crescimento sustentável e menos concentrado.