A volatilidade do bitcoin recuou a um dos patamares mais baixos da sua história, fenômeno que vem chamando atenção de analistas. No programa Resenha do Dinheiro, Bernardo Pascowitch comparou o comportamento a uma mola comprimida: períodos de oscilação muito baixa foram seguidos, historicamente, por movimentos intensos no preço — embora o indicador não permita prever se a direção será de alta ou de queda.
A situação ganha um contorno adicional quando se observa o movimento de grandes detentores. Pascowitch citou a Strategy, de Michael Saylor, que tem realizado vendas para compor caixa. Segundo o apresentador, essa dinâmica expõe empresas com tesourarias concentradas em bitcoin a riscos relevantes caso o ativo sofra correção, porque elas já operam com alavancagem elevada.
Outro ponto de vulnerabilidade é a correlação entre criptomoedas e ativos de risco global. Uma correção nas bolsas americanas — hoje em níveis historicamente altos — poderia transportar pressão para o mercado cripto e acelerar um ajuste de preço no bitcoin, com impacto direto em carteiras de investidores e no balanço de empresas expostas ao ativo.
Diante do cenário, a recomendação prática apresentada no programa é a disciplina: aportes regulares e horizonte de longo prazo. Thiago Godoy sugeriu comprar de forma escalonada para 'testar o terreno' diante da incerteza. Do ponto de vista institucional e de gestão de risco, a baixa volatilidade não elimina incertezas; ao contrário, altera apenas o timing dos riscos, que podem se materializar de forma abrupta e custosa.