O Bitcoin caiu mais de 3% na sessão desta sexta-feira, apagando parte do ímpeto que vinha levando a criptomoeda na direção dos US$ 80 mil. Por volta das 16h10 (Brasília), a cotação registrava US$ 77.551,39, queda de 3,28%, enquanto o Ethereum recuava 0,24%, a US$ 2.508,80, segundo dados da Binance. Apesar da perda no dia, ambas registraram ganhos modestos na semana.

A reação do mercado veio na esteira de declarações do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, que sugeriram uma postura mais restritiva do banco central dos EUA. A perspectiva de juros mais elevados reduz o apelo de ativos sem rendimento e interrompe movimentos de busca por proteção contra a desvalorização das moedas tradicionais, um dos argumentos usados por parte dos investidores em criptomoedas.

Analistas e operadores atribuíram parte da força recente do bitcoin a ações do Tesouro dos EUA para conter os rendimentos dos títulos e a expectativas de avanço regulatório favorável. Esses fatores haviam ajudado a empurrar a cotação acima de níveis psicológicos. Mas sinais de aperto monetário pelo Fed aumentam o custo de oportunidade de posições em ativos que não pagam juros e elevam a sensibilidade das criptos à rotação para ativos de renda.

No curto prazo, a queda evidencia a volatilidade do mercado e complica a narrativa de proteção imediata que tem sido apresentada ao público. Para investidores e gestores, o episódio reforça a necessidade de calibrar exposição a criptomoedas diante do cenário de juros mais firmes, que pode ampliar oscilações e exigir ajustes de alocação.