O bitcoin operou em queda nesta quinta-feira, recuando cerca de 1,6% até US$ 77.718,87 por volta das 16h (Brasília), segundo dados da Binance. O ethereum acompanhou o movimento, com perda mais acentuada — cerca de 3,6% — e cotado a US$ 2.306,06. A deterioração do humor no mercado veio após nova escalada de tensões no Oriente Médio: a informação sobre a renúncia do presidente do parlamento iraniano à equipe de negociação e a ativação de sistemas de defesa em Teerã contribuíram para aumentar a aversão ao risco.

Além disso, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou que 33 navios foram redirecionados desde o início do que descreve como bloqueio naval contra o Irã, o que reforça o receio de impactos mais duradouros sobre o fluxo de energia. Apesar de declarações de que Washington e Teerã não descartam negociações futuras, não há data marcada para novos encontros, mantendo incerteza sobre descompressão geopolítica.

No plano de mercado, a correção vem após o bitcoin atingir máxima de 11 semanas na véspera, levando investidores a realizarem ganhos. Analistas ouvidos pelo mercado têm destacado que, mesmo com a turbulência, a volatilidade das criptomoedas segue contida quando comparada a choques anteriores. Do ponto de vista técnico, casas como a LMAX Group apontam que a manutenção acima de US$ 76 mil é um nível relevante; sinais de retorno de detentores de longo prazo ajudam a absorver oferta e a moderar quedas.

Para investidores e formuladores de política, a leitura é dupla: por um lado, a correção pode ser saudável na formação de uma base para acumulação; por outro, a persistência das tensões no Golfo pode traduzir-se em pressão sobre preços da energia, inflação e prêmio de risco global — fatores que acabam repercutindo também em ativos de maior risco. Em resumo, a resiliência recente das criptomoedas não elimina a necessidade de prudência diante de um cenário geopolítico volátil.