Relatório recente da CoinGlass, repercutido no programa Resenha do Dinheiro, sugere que o mercado de criptomoedas ainda não mostrou sinais consistentes de que a correção acabou. Embora a alavancagem nas posições tenha recuado nos últimos meses, a leitura técnica e de fluxo de capitais não permite concluir que um ciclo de alta já começou. Especialistas consultados no programa estimam que a volatilidade pode persistir por vários meses, com possibilidade de só haver recuperação mais robusta no final de 2026 ou já em 2027.

Para investidores, a mensagem é dupla: por um lado, menor alavancagem reduz riscos sistêmicos imediatos; por outro, a ausência de catalisadores claros mantém o bitcoin e as principais altcoins vulneráveis a quedas adicionais. A análise do painel indica que estratégias que dependem de retomada rápida do mercado cripto precisam de cautela — especialmente para quem ainda trabalha com alavancagem ou exposição elevada em ativos digitais.

No front acionário, entretanto, o quadro é distinto. Relatório da XP chama atenção para um desconto relevante na avaliação da bolsa brasileira, mesmo diante de juros elevados. Dados da B3 mostram entrada líquida de R$ 3,27 bilhões em julho e saldo positivo de R$ 37 bilhões no acumulado de 2026, movimento impulsionado por investidores estrangeiros. Esse fluxo ajuda a explicar parte da recuperação recente e cria espaço para reavaliação de posições em ações descontadas.

A combinação de um mercado cripto incerto e uma bolsa com fluxo estrangeiro positivo desenha cenário de realocação de risco: capital externo pode sustentar a valorização local, enquanto a persistente volatilidade das criptomoedas mantém investidores domésticos em modo defensivo. Para gestores e formuladores de política, a mensagem é clara: a narrativa de recuperação depende tanto de fatores externos como de estabilidade macro e do apetite por risco, e permanece sujeita a reversões se condições de liquidez e juros mudarem.