O Bitcoin voltou a operar abaixo dos US$80 mil na última sexta-feira, em reação imediata à leitura do payroll de agosto, que mostrou um mercado de trabalho mais resiliente do que o esperado nos EUA. Às 16h (Brasília), a plataforma Binance indicava queda de 1,75% para US$79.619,60; o Ethereum, por sua vez, subia 1,4%, a US$2.451,47. No acumulado da semana, o bitcoin teve alta de 2,7%, enquanto o ethereum recuou 2,3%.
A reação do mercado traduz aversão ao risco diante da perspectiva de aperto monetário adicional pelo Federal Reserve. Parte das apostas já incorpora a possibilidade de uma nova alta na reunião do banco central ainda neste mês, cenário que tende a reduzir o apetite por ativos considerados mais arriscados — ou até por alternativas ao dólar em momentos de tensão.
Analistas consultados, como James Butterfill, da CoinShares, destacam que o bitcoin tem agido por vezes como um ativo de refúgio, similar ao ouro, mas que sinais macroeconômicos recentes limitam esse interesse. Butterfill aponta também que fatores geopolíticos — como uma eventual resolução do conflito com o Irã — ou uma deterioração mais acentuada na confiança sobre a dívida soberana dos EUA seriam necessárias para que o cripto rompesse de forma sustentável a resistência perto de US$80 mil.
No horizonte próximo, dois eventos podem intensificar a volatilidade: a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) em 11 de setembro e a votação da Clarity Act no Senado em 15 de setembro, projeto que reclassificaria criptomoedas como commodities em vez de valores mobiliários. Para investidores e formuladores de políticas, o calendário combina risco monetário e incerteza regulatória — mistura que exige cautela e pode custar caro a posições alavancadas.