O bitcoin operou em baixa nesta segunda-feira (10), reagindo à cautela dos mercados diante dos desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Por volta das 16h53 (horário de Brasília) a criptomoeda caía 1,79%, cotada a US$ 64.035, enquanto o ethereum recuava 2,41%, a US$ 1.873,89, segundo a plataforma Binance. A queda seguiu uma tentativa de alta: o bitcoin havia alcançado a máxima de duas semanas na madrugada.

A elevação do preço do petróleo com a escalada de tensões regionais reforça pressões inflacionárias e alimenta a perspectiva de juros mais altos por parte de bancos centrais. Nesta semana o mercado acompanha a divulgação dos índices de preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) nos EUA, que devem dar pistas sobre a real magnitude do impacto inflacionário e sobre a direção da política monetária.

No campo institucional, a incerteza regulatória americana permanece: o Senado entrou em recesso de cinco semanas sem votar o Clarity Act, projeto pensado para dar um marco legal aos ativos digitais. Esse atraso amplia a sombra sobre a adoção institucional de criptomoedas e deixa operadores sem sinais claros sobre regras e supervisão, contribuindo para a volatilidade.

Outros indicadores do setor mostram dinâmica mista: a participação do bitcoin nos volumes negociais alcançou cerca de 43% em julho, a maior desde o início de 2023, na avaliação da Cex.io — movimento consistente com migração de capital para o ativo mais líquido em momentos de aversão a risco. A capitalização total do mercado de cripto está em US$ 2,19 trilhões, recuando cerca de US$ 10 bilhões em 30 dias. Além disso, a Strategy vendeu 1.690 bitcoins na semana passada para financiar recompras de ações preferenciais, operação que movimentou cerca de US$ 109 milhões, pressão adicional sobre oferta e preço. No conjunto, o cenário associa fatores geopolíticos, macro e institucionais que limitam um rali sustentado nas criptomoedas.