O bitcoin sofreu queda superior a 12% na última semana depois da divulgação de que a Strategy — empresa ligada a Michael Saylor — vendeu 32 moedas por cerca de US$ 2 milhões para financiar o pagamento de um dividendo da STRC. Embora o lote represente uma fração ínfima dos mais de 840 mil bitcoins atribuídos à companhia, a transação foi suficiente para aumentar a volatilidade e elevar o grau de preocupação entre investidores.
Especialistas ouvidos no programa Resenha do Dinheiro apontam que o impacto veio mais do simbolismo do que do volume. A venda reativou o receio de que a Strategy possa desmobilizar uma fatia maior de sua posição no futuro. Esse temor ganha potência porque a empresa ampliou exposição via emissões de dívida, com custo médio de aquisição acima do preço atual, o que torna o portfólio sensível a movimentos de venda e à necessidade de ajustar caixa.
A concentração de uma parcela tão grande de bitcoins em mãos de poucos atores contraria o princípio de descentralização que costuma guiar a narrativa da criptomoeda e aumenta a fragilidade do mercado. A curto prazo, qualquer sinal de saída por parte de um grande detentor tende a amplificar oscilações; eventualmente, uma pulverização ordenada dessas posições poderia, segundo analistas, melhorar a dinâmica de mercado no médio e longo prazos.
O cenário macro também pesa: 2026 tem sido marcado por juros mais altos, inflação persistente e menor apetite por ativos de risco, um contexto que especialistas classificam como 'inverno cripto'. Na prática, isso amplia a probabilidade de manutenção da pressão sobre o bitcoin e impõe aos investidores a necessidade de monitorar de perto tanto movimentos adicionais da Strategy quanto a saúde financeira de grandes players.