O bitcoin operou em alta na tarde desta segunda-feira, recuperando parte das perdas da semana anterior. Por volta das 16h02 (Brasília), a moeda avançava 2,14%, cotada a US$ 63.397,66, enquanto o ethereum subia 3,32%, a US$ 1.684,75, segundo dados da Binance. O movimento vem acompanhado da retomada de fluxos de entrada em ETFs, depois de 13 dias seguidos de saídas.
A dinâmica foi reforçada pela Strategy, maior detentora corporativa de bitcoin, que voltou a comprar 1.550 unidades entre 1º e 7 de junho, desembolsando cerca de US$ 101,3 milhões a um preço médio próximo de US$ 65.332. A operação ocorre uma semana após a empresa anunciar venda de bitcoins pela primeira vez desde 2022. Institutos e casas como FxPro apontam que investidores tentam aproveitar preços baixos — inferior à metade do que se viu entre julho e outubro de 2025 — enquanto a Zaye Capital Markets descreve a recuperação como “frágil”.
Analistas consultados destacam dois vetores de risco: a sensibilidade dos fluxos de ETF e o ambiente macrogeopolítico. A Kudotrade alerta que as tensões no Oriente Médio elevam temor inflacionário e pressionam expectativas de política monetária mais restritiva; já a Bitfinex ressalta que, com a incorporação dos criptoativos ao sistema financeiro, eles passam a responder aos mesmos mecanismos que orientam outros mercados.
O quadro sugere que a alta atual é dependente de continuidade nos fluxos e de comportamento de grandes detentores. Embora compras como as da Strategy possam dar algum suporte, a maior correlação com forças macroeconômicas reduz o papel das criptomoedas como ativo idiossincrático. Para investidores e reguladores, a lição é clara: ganhos recentes não eliminam vulnerabilidades — a recuperação segue parcial e condicional.