O bitcoin ganhou força nesta quinta-feira e anotou alta de cerca de 6%, negociado acima de US$ 72 mil, em reação iniciada com o anúncio de recompra de títulos pelo Departamento do Tesouro dos EUA. O movimento também elevou as cotações do ethereum, que subiu cerca de 11%, segundo registros da plataforma Binance por volta das 16h (Brasília). Analistas identificaram o salto como uma resposta a combinações de fatores técnicos e macroeconômicos.
Pedro Fontes, analista do Mercado Bitcoin, explica que o preço rompeu sequencialmente resistências relevantes — próximas de US$ 65 mil, US$ 67 mil e o patamar psicológico de US$ 70 mil — depois de período de volatilidade comprimida. Essa compressão, compara o analista, tende a gerar movimentos mais intensos quando o preço escolhe uma direção, amplificando a alta observada nos últimos dias.
No plano macro, a escalada da dívida pública americana acima de US$ 40 trilhões e o custo crescente do serviço dessa dívida entram como componente central da narrativa pró-cripto. Segundo Fontes, nos últimos dez meses os EUA desembolsaram cerca de US$ 963 bilhões em juros líquidos da dívida, valor acima dos US$ 763 bilhões gastos com defesa — dado que, na visão de mercado, alimenta a busca por ativos escassos e previsíveis fora da dinâmica de expansão da dívida pública.
Além do efeito de precificação, o episódio tem reflexos institucionais: a proposta legislativa conhecida como Clarity Act permanece emperrada no Senado, enquanto o chefe da CFTC, Michael Selig, afirmou que a indústria terá regras de estrutura de mercado mesmo sem legislação do Congresso. Em paralelo, negociações para uso de stablecoins em pagamentos de royalties, como as relatadas para a plataforma X, mostram que o avanço tecnológico tende a intensificar o debate regulatório — um elemento que investidores e formuladores de política não podem ignorar.