O Bitcoin voltou a subir nesta segunda-feira, em linha com o movimento que elevou a criptomoeda mais de 22% na semana anterior. Por volta das 16h (Brasília), o ativo registrava alta de 2,14%, cotado a US$ 78.974, enquanto o Ethereum avançava 1,02%, a US$ 2.473,02, segundo a plataforma Binance. A recuperação recente reacendeu o apetite por risco, mas o quadro ainda mostra fragilidades diante de fatores macro nos EUA.
O impulso foi impulsionado por um conjunto de fatores: alívio pontual na pressão sobre os rendimentos dos títulos, enfraquecimento do dólar e, sobretudo, fluxos relevantes para produtos de ETF. Na última semana, os ETFs acumularam US$ 1,92 bilhão em entradas líquidas — o maior valor desde outubro do ano passado e a melhor semana de 2026, na avaliação do analista Pedro Fontes, do Mercado Bitcoin. Para ele, esses aportes sugerem que houve entrada de capital institucional, o que dá mais substância à alta além do movimento técnico.
Ainda assim, analistas ressaltam riscos. Linh Tran, da XS.com, alerta que a recuperação enfrenta perigos caso rendimentos de longo prazo voltem a subir ou se o dólar se estabilizar. O comportamento dos Treasuries e as sinalizações do Federal Reserve, que serão examinandas esta semana e no Simpósio de Jackson Hole, tendem a ser determinantes. A própria Strategy, maior detentora corporativa de bitcoin, optou por não ampliar compras na semana passada: vendeu US$ 2 bilhões em ações ordinárias, aumentou sua reserva em dólares em US$ 300 milhões para US$ 5,1 bilhões e recomprou US$ 136 milhões em ações preferenciais — movimentos que mostram gestão ativa de caixa diante da volatilidade.
Do ponto de vista prático, o mercado passa a depender da sustentação dos fluxos de entrada em ETFs e da dinâmica dos juros globais para manter o patamar atual. Se os rendimentos e o dólar permanecerem favoráveis, o bitcoin pode testar novamente a marca dos US$ 80 mil; caso contrário, a correção técnica pode ganhar força. Para investidores e formuladores de política econômica, o episódio reforça a interdependência entre decisões monetárias nos EUA e ativos de risco, e evidencia como capitais institucionais podem acelerar movimentos de alta — ao mesmo tempo em que ampliam o potencial de reversão rápida.