O bitcoin encerrou mais uma sessão de fortes ganhos e acumulou sua melhor semana em mais de dois anos. Por volta das 16h (Brasília), a criptomoeda avançava cerca de 6,25%, cotada em US$ 76.938,01; o ethereum subia 3,92%, negociado a US$ 2.408,22, segundo dados da plataforma Binance.
O rali tem explicações práticas: investidores institucionais seguem recompondo posições no mercado à vista, enquanto expectativas de queda nos rendimentos dos Treasuries e a necessidade de alguns operadores de fechar posições perdedoras geraram compras adicionais. Produtos de bitcoin à vista nos EUA atraíram quase US$ 520 milhões em fluxos líquidos num único dia — o maior ingresso em cerca de três meses e meio.
No plano político, o apelo do presidente Donald Trump ao Congresso para aprovar uma versão da Clarity Act e dar regras mais definidas ao setor reduziu o prêmio de risco regulatório, segundo operadores. Paralelamente, a elevação da dívida federal e movimentos do Departamento do Tesouro — como recompras de títulos — reforçam a tese de que parte dos investidores vê nas criptomoedas uma alternativa diante do crescimento do endividamento público.
O efeito prático é claro: regras mais nítidas poderiam ampliar o acesso de bancos, gestoras e empresas ao mercado cripto, trazendo mais capital institucional, mas também maior exposição do sistema financeiro à volatilidade desses ativos. Para o poder público, o avanço regulatório impõe um novo equilíbrio entre permitir investimento e proteger estabilidade; para os investidores, a guinada recente reforça que o mercado seguirá sensível a decisões do Congresso, do Tesouro e ao fluxo de rendimentos globais.