A BlackRock divulgou lucro líquido de US$ 2,21 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 46% em relação a um ano antes, segundo balanço divulgado nesta terça. A receita total subiu 27%, para US$ 6,7 bilhões, superando expectativas de mercado; o lucro por ação ajustado alcançou US$ 12,53, acima do consenso da FactSet.

O crescimento foi sustentado por avanço das taxas de administração, maior contribuição dos serviços tecnológicos e aquisições recentes. Os ativos sob gestão atingiram US$ 13,89 trilhões ao fim de março, ligeiramente abaixo do fechamento de 2025, em meio à volatilidade do início do ano. Ainda assim, a gestora registrou entrada líquida de US$ 130 bilhões no trimestre, com captações recorde de US$ 132 bilhões nos ETFs iShares.

Do ponto de vista operacional, o lucro operacional cresceu 66% na comparação anual e a margem operacional GAAP subiu para 42%. A empresa também recomprou US$ 450 milhões em ações e elevou o dividendo trimestral em 10%, para US$ 5,73 por papel. Na leitura do CEO Larry Fink, “o capital está em movimento” — diagnóstico que explica o fluxo para produtos da casa.

Os números mostram eficiência e apetite por produtos passivos, mas levantam questões relevantes para reguladores e investidores: a aceleração das receitas por taxas e a concentração de capital em grandes gestoras expõem mercados a riscos de curto prazo ligados a fluxos, e colocam a BlackRock ainda mais no centro do ecossistema financeiro. A priorização de recompra e aumento de dividendos reforça que a gestora, além de administrar ativos, privilegia distribuição de caixa ao acionista.