A BMW comunicou nesta quarta-feira um programa de indenização por rescisão que deve reduzir a força de trabalho na Alemanha em aproximadamente 8.000 pessoas até o final de 2027. O acordo, negociado com o conselho de trabalhadores, mira principalmente as divisões administrativas e de desenvolvimento, e exclui as operações de produção, segundo porta-voz da empresa.

O grupo, com sede em Munique e cerca de 150 mil funcionários no mundo, justificou a iniciativa pela combinação de lucros em queda e uma demanda enfraquecida, sobretudo na China. Em junho a BMW já havia reduzido a previsão de lucro para o ano, e o CEO Milan Nedeljkovic avisou funcionários sobre mudanças profundas nas regras do setor e a necessidade de acelerar a redução de custos.

A decisão acompanha movimentos semelhantes de rivais alemães: Volkswagen e Mercedes-Benz fecharam acordos para cortes de dezenas de milhares de vagas, e a Porsche anunciou reestruturação com objetivo de reduzir cerca de 20% do quadro até 2035. Protestos de trabalhadores ocorrem em fábricas da Audi, enquanto quatro unidades da Volkswagen na Alemanha estão ameaçadas de fechamento — um sinal de que a pressão atinge toda a cadeia produtiva.

Além do impacto social local, a reestruturação da BMW reforça um quadro estrutural: a transição para veículos elétricos, a concorrência chinesa e tarifas externas exigem ajustes caros que testam a sustentabilidade do modelo de negócios. A medida deve aumentar pressão sobre fornecedores e autoridades por respostas para mitigar efeitos regionais; a montadora divulgará os resultados do segundo trimestre na quinta-feira.