A linha do BNDES destinada a financiar a troca de carros por taxistas e motoristas de aplicativos enfrenta um início moroso. Dos R$ 30 bilhões anunciados, apenas R$ 2,2 bilhões (7,3%) foram efetivamente contratados até o fim do mês passado, segundo o balanço do banco. O prazo final para contratações é 15 de setembro, e o governo aportou mais R$ 1 bilhão no fundo garantidor para cobrir até 80% do risco e tentar acelerar as operações.
A Anfavea aponta que o gargalo não está na oferta de recursos, mas na etapa de avaliação de crédito e nas garantias exigidas pelas instituições financeiras. Bancos vêm exigindo comprovação de renda, histórico e scores compatíveis com as regras de risco, além de adaptar sistemas para operar o repasse dos recursos do BNDES — uma demanda distinta do crédito direto ao consumidor com o qual muitos estão acostumados.
Há também um componente administrativo: vendedores e concessionárias precisam aprender um novo modelo de venda que integra recursos públicos e garantias. A entidade das montadoras lembra o precedente do programa Move Brasil, voltado a caminhões, que só decolou depois de ajustes e ampliação orçamentária (de R$ 10 bilhões para R$ 21,2 bilhões). O ensinamento é que a adoção pode ocorrer em ondas, mas não é automática.
O quadro tem implicações políticas e econômicas claras. A subutilização dos recursos pode gerar custo político ao governo, reduzir o impacto esperado sobre renovação da frota e eficiência do transporte por aplicativo e pressionar por novas medidas para simplificar requisitos ou ampliar garantias. Se o objetivo é mexer no mercado de usados e estimular vendas, o relógio para ajustes administrativos e incentivos está correndo.