O BNDES e a Finep anunciaram a abertura de chamada pública para escolher o gestor de um Fundo de Investimento em Participações (FIP) dedicado a startups intensivas em inteligência artificial. O mecanismo prevê aporte público conjunto de até R$ 205 milhões, visando equilibrar capital público e privado na construção do mercado local de IA.

Pela proposta, a subsidiária do BNDES, a BNDESPar, compromete-se a aportar até R$ 125 milhões, enquanto a Finep, por meio do FNDCT, poderá destinar até R$ 80 milhões. Cada cotista-âncora terá participação limitada a 25% do FIP, regra pensada para forçar a entrada de investidores privados e reduzir a dependência de recursos estatais.

A participação de cada cotista-âncora ficará limitada a 25% do fundo para estimular a entrada de outros investidores.

O regulamento exige que o foco dos investimentos seja em empresas cuja geração de valor dependa essencialmente de IA, e não em aplicações secundárias da tecnologia. Além disso, a Finep determinou que 30% de sua parcela seja direcionada a startups do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, reforçando o componente de regionalização do programa.

A iniciativa se alinha ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) e à Nova Indústria Brasil (NIB), mas levanta questões práticas: o sucesso dependerá da capacidade do gestor em identificar alvos com potencial de escala e saída, da governança do fundo e da disposição do setor privado de co-investir em uma classe de ativos ainda incipiente no país.

Para além do simbolismo político, o lançamento testa a eficácia de instrumentos públicos na atração de capital e na promoção do desenvolvimento regional. Se bem estruturado, o FIP pode acelerar ecossistemas locais de tecnologia; se mal gerido, expõe o erário a riscos elevados e oferece retorno fiscal e político limitado.

Do total aportado pela Finep, 30% será direcionado a startups do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, segundo o comunicado institucional.