O BNDES registrou lucro recorrente de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, e chegou a R$ 15,6 bilhões nos 12 meses encerrados em março — o maior resultado da história da instituição. No fechamento do trimestre, os ativos totais somaram R$ 995 bilhões, patamar nominal recorde e 45% acima de 2022.

A carteira de crédito do Sistema BNDES atingiu R$ 678,2 bilhões, crescimento de 14% frente a 2025, enquanto aprovações somaram R$ 45,7 bilhões (37% a mais que no 1º tri de 2025 e 254% sobre 2022). Os desembolsos alcançaram R$ 36,2 bilhões no trimestre, com aumento de 44% ante 2025 e de 145% em relação a 2022 — destaque para indústria (+67%), infraestrutura (+51%) e agro (+40%). Para PMEs, as aprovações chegaram a R$ 29 bilhões, alta de 120% ante 2025.

Os indicadores de risco continuam conservadores: inadimplência de 90 dias em 0,046% — bem abaixo do sistema financeiro — e Índice de Basileia em 24,1%, acima do mínimo regulatório. Ao mesmo tempo, o banco mantém dívidas de R$ 36 bilhões com o Tesouro e R$ 28 bilhões em captações domésticas, em níveis semelhantes aos do fim de 2025, o que indica estabilidade na estrutura de funding.

A direção observa uma retomada do papel do BNDES como financiador relevante: Nelson Barbosa destacou aumento de participação no PIB (de cerca de 1% em 2022 para 1,4% hoje) e meta de chegar a 2% até o fim do ano, condicionada a juros e cenário internacional. É resultado que amplia o espaço de atuação do banco, mas também impõe perguntas políticas e fiscais sobre prioridades, fontes de financiamento e o equilíbrio entre apoio a investimento e responsabilidade fiscal.