O BNDES informou que recebeu R$ 8,2 bilhões em pedidos de crédito nos dois primeiros dias da nova etapa do Plano Brasil Soberano, com 138 operações protocoladas entre 17 e 18 de setembro. Do total solicitado, o banco aprovou R$ 1,7 bilhão — parcela que evidencia, na prática, um gargalo entre demanda e liberação imediata de recursos.

Do montante aprovado, R$ 794 milhões foram destinados a empresas do grupo 2 (setores industriais considerados relevantes), R$ 680 milhões a empresas do grupo 1 e seus fornecedores — afetados por sobretaxas dos EUA — e R$ 251 milhões ao grupo 3, voltado a exportadores para o Golfo Pérsico. Entre os setores, as empresas de fertilizantes concentraram R$ 683 milhões das aprovações, mostrando a concentração setorial das medidas.

O programa tem orçamento total de R$ 22,6 bilhões, dividido entre R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional e R$ 9,1 bilhões do próprio BNDES. O volume inicial de pedidos, comparado ao ritmo de aprovações, acende alerta sobre o custo fiscal e sobre a capacidade do banco e do Tesouro de atender a demanda sem alongar riscos setoriais e orçamentários.

A declaração do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, de que o fluxo expressa a busca por financiamento diante de incertezas no comércio internacional, confirma a urgência. Resta ao governo definir com transparência critérios técnicos de seleção e vigiar exposição a riscos concentrados — decisões que terão impacto político e econômico nas próximas semanas.