O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, disse que o banco está 'reciclando' sua carteira de ações, saindo de participações em companhias consolidadas para direcionar recursos a empresas e projetos considerados estratégicos para o futuro. Desde sua entrada no comando, em 2023, a carteira teria acumulado um ganho de cerca de R$ 80 bilhões entre valorização e dividendos, segundo o próprio executivo.

No processo iniciado em maio, a subsidiária BNDESPar vendeu parcelas relevantes: cerca de R$ 3 bilhões em ações da Petrobras, mais de R$ 500 milhões em papéis da Axia Energia e operações que somaram R$ 280 milhões em Copel — esta última, parte de um total de R$ 1,2 bilhão em vendas de ações da elétrica no ano. O banco formalizou que monitora constantemente oportunidades de investimento e desinvestimento e que a estratégia mira ativos maduros.

Mercadante justificou o movimento pela missão do BNDES: financiar inteligência artificial, transição digital, biocombustíveis, descarbonização e outros vetores de inovação, além de apoiar P&D e mobilidade híbrida. Ao mesmo tempo, elogiou a performance da Petrobras — citando forte valorização e as perspectivas da Margem Equatorial — o que torna a operação sensível do ponto de vista político e financeiro.

A operação tem efeitos concretos e riscos: por um lado, libera recursos para projetos considerados prioritários para sustentabilidade e competitividade; por outro, reduz a presença acionária em companhias estratégicas que também geram dividendos e influência estatal. O timing das vendas — depois de um ano de forte valorização — pode ser visto como gestão prudente de portfólio, mas também suscita debate sobre até que ponto o desinvestimento altera a capacidade do Estado de atuar em setores-chave.

No curto prazo, os mercados devem acompanhar a execução das operações e a destinação dos recursos; no médio prazo, a eficiência dessa 'reciclagem' será medida pelo retorno dos novos investimentos versus o que se deixa de arrecadar com as participações vendidas. A estratégia do BNDES, em tese, aponta para uma postura mais ativa em setores de tecnologia e sustentabilidade, mas depende de execução rigorosa e transparência sobre prioridades e resultados.