O Bank of America revisou para cima sua projeção para o Ibovespa no fim do ano, indo de 180 mil para cerca de 210 mil pontos — alta de quase 9% em relação ao fechamento recente. No relatório aos clientes, o banco destaca o desempenho da América Latina e, em especial, o Brasil, com o mercado levando vantagem em papéis como Vale e Petrobras; a última se beneficiou da disparada do barril de petróleo motivada pelos conflitos no Oriente Médio.

Os analistas do BofA dizem que uma eventual desescalada no conflito pode reduzir o preço do petróleo, aliviar pressões de custo e criar espaço para cortes da taxa básica de juros. Na projeção do banco, a Selic fecharia 2026 em 13,25% e 2027 em 12,5%, ante os atuais 14,25%. Esse ambiente, se confirmado, tende a manter fluxo de capital para mercados emergentes e a melhorar condições financeiras.

Ao mesmo tempo, o banco faz um alerta relevante para investidores: as ações brasileiras “já não estão baratas” em termos de valuation. O relatório admite que seu múltiplo-alvo fica ligeiramente abaixo dos níveis atuais para incorporar riscos aos lucros e a volatilidade eleitoral que, na avaliação do BofA, deve aumentar nos próximos meses. Em outras palavras, parte do rali recente está concentrado em poucos nomes sensíveis a commodities, o que expõe o mercado a reversões rápidas.

Do ponto de vista político e econômico, a combinação de dependência de papéis ligados a commodities e o avanço da volatilidade eleitoral reduz margem de manobra para uma narrativa confortável sobre estabilidade financeira. Para investidores, a mensagem é clara: ganhos recentes merecem revisão crítica; para formuladores de política, a leitura sugere que eventual melhora nas expectativas não elimina a necessidade de prudência fiscal e sinais claros de previsibilidade.