O índice de medo e ganância (Fear & Greed) monitorado pelo Bank of America subiu para 97 em uma escala de zero a 100, um patamar que figura entre as leituras mais altas desde 2000. Níveis extremos desse indicador já surgiram antes de correções severas, como as que acompanharam a bolha das empresas de tecnologia e a crise de 2008, o que torna a atual euforia um sinal de alerta para o mercado.
As bolsas americanas operam perto de máximas históricas e registram um fluxo intenso de ofertas públicas iniciais, um ambiente que costuma atrair capital em busca de ganhos rápidos. Apesar de uma realização pontual, analistas e gestores observam que muitos investidores continuam fortemente posicionados, o que pode reduzir a margem de segurança caso a volatilidade aumente.
Um fator que agrava a exposição é o uso de opções para alavancar ganhos nas ações norte-americanas. Instrumentos derivativos ampliam tanto a possibilidade de lucro quanto a de perda em períodos de virada. Para especialistas consultados, o indicador não prevê inevitavelmente uma crise, mas funciona como um termômetro do excesso de otimismo que exige disciplina e gestão de risco.
Há, no entanto, diferenças em relação a bolhas anteriores: o avanço da inteligência artificial e expectativas de crescimento sustentam parte da avaliação atual, segundo profissionais do mercado. Ainda assim, o quadro complica a tomada de decisão de investidores e gestores e acende alerta para a necessidade de vigilância sobre alavancagem, preços e qualidade dos fluxos de capital em um ambiente que pode virar rapidamente.