O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (20), apontou a sexta semana consecutiva de alta na projeção do IPCA para 2026, agora em 4,80% ante 4,71% na rodada anterior. As expectativas para 2027 foram elevadas a 3,99%, enquanto 2028 ficou estável em 3,60%. O movimento confirma piora nas perspectivas de inflação que vinha sendo registrada desde o choque geopolítico no Oriente Médio.

A taxa Selic também voltou a subir no radar do mercado: a projeção para 2026 passou a ser de 13% (alta de 0,5 ponto percentual em relação à semana anterior). Para 2027 e 2028, as estimativas ficaram em 11% e 10%, respectivamente. Com a Selic atualmente em 14,75%, o mercado acha que o ajuste será mais lento do que o esperado, o que eleva o custo do crédito e pressiona juros reais e serviço da dívida.

Em termos de atividade, o Focus ajustou levemente o PIB de 2026 para 1,86% (alta de 0,01 p.p.) e manteve previsões próximas para 2027 e 2028. O câmbio projetado para 2026 recuou para R$ 5,30, e a balança comercial foi revista para um superávit de US$ 72,65 bilhões em 2026. Esses números mostram um quadro misto: alguma melhora nas condições externas, mas com inflação e juros ocupando o centro do debate doméstico.

Para a economia e para a agenda política, as revisões do Focus acendem um alerta: inflação mais alta e expectativa de juros elevados comprometerão recuperação de renda e poderão limitar espaço para estímulos. O levantamento é um retrato do momento, não uma previsão definitiva, mas indica que o governo e o Banco Central enfrentam uma janela mais estreita para coordenar medidas que preservem estabilidade sem sufocar o crescimento.