As bolsas asiáticas encerraram o pregão desta quarta-feira em queda, refletindo uma nova onda de vendas de ações do setor de tecnologia iniciada em Nova York. Na Coreia do Sul, o Kospi despencou 4,52%, para 7.730,82 pontos, com Samsung Electronics e SK Hynix caindo cerca de 6% e 7,5%, respectivamente. Em Tóquio, o Nikkei recuou 1,89%, a 64.179,27 pontos, enquanto o SoftBank registrou perda de 8,3%. Taiwan e Hong Kong também sentiram o impacto: Taiex -3,31% (43.225,54) e Hang Seng -0,64% (24.407,96).

O movimento acompanha o recuo do Nasdaq em Nova York — quase 1% na sessão — em meio a renovadas preocupações sobre avaliação excessiva de papéis relacionados ao boom da inteligência artificial. Na semana passada, o índice já havia sofrido uma queda superior a 4%, sinalizando que a correção em ativos de alto crescimento ainda tem força e pode gerar contágio entre praças e setores conectados à cadeia de semicondutores e tecnologia.

Há ainda fatores externos que ampliam a volatilidade: o renovado confronto entre Estados Unidos e Irã elevou o risco geopolítico e pressionou os preços de energia, embora o Brent tenha recuado cerca de 0,70% no fim da madrugada. Na China, o PPI acelerou para 3,9% em maio (ante 2,8% em abril), enquanto o CPI permaneceu estável em 1,2% mês a mês, quadro que mostra custos industriais em alta e demanda ao consumidor ainda contida — combinação que complica a leitura para mercados e empresas exportadoras.

O resultado é um mercado mais seletivo e volátil, com pressão particular sobre as gigantes de tecnologia e fabricantes de semicondutores. Para investidores, a liquidação reforça a necessidade de revisão de posições em papéis de valuation elevado; para economias regionais, a oscilação amplia o custo de capital e pode frear investimentos já sensíveis a cenários externos. A exceção ficou por conta da Austrália: o S&P/ASX 200 avançou 0,57%, para 8.653,30 pontos, destacando diferenças locais na composição setorial e no sentimento do mercado.