As bolsas da Ásia encerraram a sessão desta sexta-feira em terreno positivo, apoiadas por um rali em Wall Street e pela queda nas cotações do petróleo. Em Tóquio, o índice Nikkei subiu 1,38%, para 65.018,95 pontos, na esteira da decisão do Banco do Japão (BoJ) de aumentar a taxa básica em 25 pontos-base, para 1,25% — o maior nível desde 1995.
A alta do Japão já era amplamente esperada depois da escalada de juros pelo Federal Reserve nos Estados Unidos nesta semana. Analistas e autoridades vinha pressionando por um aperto em Tóquio diante do enfraquecimento do iene; Washington e Tóquio chegaram a intervir conjuntamente para sustentar a moeda, mas os esforços não produziram efeito significativo, segundo relatos.
O movimento do BoJ combinou-se ao alívio nas matérias-primas: o Brent recuou quase 2% pela terceira sessão seguida com a redução das preocupações sobre oferta no Oriente Médio. O cenário beneficiou ações sensíveis ao ciclo e ajudou outros papéis de tecnologia e crescimento, o que repercutiu em Seul (Kospi +2,66%), Hong Kong (Hang Seng +0,60%), Taiwan (Taiex +1,93%) e nas praças chinesas de Xangai (+0,94%) e Shenzhen (+1,67%).
Para investidores, a leitura é dupla: a normalização gradual das taxas no Japão reduz um diferencial que vinha pressionando moedas e ativos regionais, mas também reabre o debate sobre coordenação entre bancos centrais e a resistência de políticas cambiais por intervenções. No curto prazo, a combinação de política monetária mais rígida no Japão e o recuo do petróleo deu fôlego ao mercado; resta acompanhar se essa melhora se sustenta diante de novos choques globais.