As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em baixa nesta terça-feira, num pregão marcado pela aversão ao risco. Em Tóquio o Nikkei caiu 1,02%, a 59.917,46 pontos. Em Hong Kong o Hang Seng recuou 0,95% (25.679,78), enquanto o Taiex de Taiwan cedeu 0,24% (39.521,73). Na China continental, Xangai caiu 0,19% (4.078,64) e Shenzhen 1,07% (2.727,23). Em contrapartida, o Kospi sul-coreano avançou 0,39% e bateu recorde, a 6.641,02, e a bolsa australiana recuou 0,64% (S&P/ASX 200 a 8.710,70).
O movimento refletiu dois vetores: a decisão dividida do Banco do Japão (6 a 3) de manter a taxa básica em 0,75% e a revisão para pior das projeções de inflação e crescimento — efeito direto do choque sobre preços de energia provocado pelo conflito entre EUA e Irã. A postura dividida do BoJ expõe incerteza sobre o rumo da política monetária japonesa e reduz o apetite por risco em mercados sensíveis a custos de energia.
No plano geopolítico, a Casa Branca afirmou que a proposta iraniana para reabrir o Estreito de Ormuz foi discutida pela equipe de segurança nacional, mas não está necessariamente em consideração, segundo a secretária de imprensa Karoline Leavitt. Reportagens da Axios e da AP indicam que Teerã condiciona a reabertura ao fim do bloqueio a portos iranianos e à postergação de negociações sobre seu programa nuclear — exigências que mantêm o estreito como ponto crítico e elevam o prêmio de risco.
O resultado prático foi uma alta do Brent de cerca de 2,5%, acima dos US$104 o barril, na segunda sessão seguida de avanços. Preços de petróleo mais elevados reforçam pressões inflacionárias globais, complicam decisões de bancos centrais e ampliam o custo para economias importadoras de energia. Para investidores, cresce a necessidade de precificar risco geopolítico; para governos, aumenta o desafio de conciliar controle da inflação com sustentabilidade fiscal.