As bolsas asiáticas encerraram em baixa nesta sexta-feira após o tombo de ações ligadas à inteligência artificial na véspera em Wall Street. O índice Kospi liderou as perdas, caindo 5,54% em Seul (8.160,59 pontos). Samsung Electronics e SK Hynix recuaram 6,40% e 9,92%, respectivamente. Em Tóquio, o Nikkei recuou 1,31% e a Tokyo Electron caiu 6,61%. Hong Kong (Hang Seng -1,15%), Taiwan (Taiex -1,33%), Xangai (-0,74%) e Shenzhen (-1,33%) também fecharam no vermelho. Na Oceania, o S&P/ASX 200 caiu 0,70%.

O gatilho imediato foi o desempenho de empresas de tecnologia em Nova York: a fabricante de chips Broadcom despencou 12,69% após projeções abaixo do esperado, arrastando títulos que vinham sendo inflados pela euforia em torno da IA. Ao mesmo tempo, o conflito no Oriente Médio reduziu o apetite por risco na região, em meio a dúvidas sobre um novo cessar‑fogo entre Israel e Líbano e sobre a possibilidade de um acerto entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, rota por onde normalmente circulam 20% do petróleo e do gás natural mundiais.

O movimento expõe a vulnerabilidade do setor de semicondutores e das ações mais associadas à narrativa de crescimento rápido da IA: avaliações ajustadas a expectativas elevadas podem ser rapidamente revistas diante de guidance conservador e de choques geopolíticos. A correção reforça que o mercado global ainda está sujeito a contágios quando os pilares da narrativa de alta — avanço tecnológico e estabilidade externa — são postos à prova.

Para investidores e gestores, a combinação entre resultados corporativos mais tímidos e deterioração do quadro externo sinaliza necessidade de seletividade e maior atenção a balanços e fluxos de comércio energético. A sensibilidade das praças asiáticas a choques vindos de Nova York e do Oriente Médio deve manter a volatilidade nos próximos pregões, com desdobramentos condicionados a novos balanços e a qualquer resolução diplomática.