As bolsas na Ásia fecharam sem um rumo único ao final do pregão, enquanto investidores digeriam o balanço da Nvidia e monitoravam a evolução das tensões no Oriente Médio. A fabricante americana reportou vendas recordes no trimestre encerrado em julho e entregou projeções acima do consenso, reacendendo o interesse por papéis ligados à infraestrutura de inteligência artificial.
O resultado serviu de impulso quase generalizado para empresas locais de semicondutores: SK Hynix e Samsung Electronics registraram ganhos relevantes, Kioxia saltou em Tóquio, enquanto a taiwanesa TSMC teve leve queda. No campo dos índices, o Kospi subiu mais de 1,5% em Seul — mesmo após o Banco da Coreia elevar a taxa básica para 3% —; por outro lado, o Nikkei e o Hang Seng recuaram, e o Taiex avançou modestamente. Na China continental, Xangai e Shenzhen registraram altas ignorando sinais de desaceleração de lucros industriais.
Analistas apontam que, embora os números da Nvidia reforcem a tese de investimento em infraestrutura de IA, a combinação de maior custo de componentes e a necessidade de comprovar retorno econômico das aplicações promete diferenciar vencedores e perdedores no setor. Para investidores e gestores, o desafio passa a ser seletividade: nem todas as empresas da cadeia de produção terão fôlego para converter demanda em margens sustentáveis.
No plano externo, o petróleo caiu pelo quarto dia consecutivo com a expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz, pressionando o Brent para cerca de US$ 86 o barril — antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente cruzava a via. O recuo do óleo tende a aliviar pressões inflacionárias, mas a incerteza geopolítica continua capaz de recompor prêmios de risco. Em suma: os números da Nvidia dão combustível à tendência de concentração em tecnologia, mas custos, juros e riscos externos mantêm a volatilidade no radar dos mercados.