As bolsas da Ásia fecharam em alta nesta segunda-feira (25), com destaque para o Japão: o índice Nikkei subiu 2,87%, alcançando o patamar inédito de 65.158,19 pontos, impulsionado por um rali em papéis ligados a semicondutores — Kioxia Holdings avançou cerca de 14% e Lasertec perto de 13%. Na China continental, o Xangai Composto subiu 0,96% (4.152,57) e o Shenzhen Composto 0,94% (2.889,55). Em Taiwan, o Taiex saltou 3,26% a 43.644,40 pontos. Coreia do Sul e Hong Kong não operaram por feriado.

O gatilho imediato para o sentimento positivo foi político: o presidente dos EUA afirmou que as negociações com o Irã estão “prosseguindo de maneira ordenada e construtiva”, e autoridades regionais relataram que os EUA estariam próximos de um acordo que encerraria a guerra, reabriria o Estreito de Ormuz e faria Teerã abrir mão de seu estoque de urânio altamente enriquecido. A perspectiva de normalização do tráfego no estreito derrubou o petróleo Brent em mais de 4%, para cerca de US$96 por barril, retornando abaixo da marca psicológica de US$100.

O movimento tem implicações práticas: a queda do petróleo tende a aliviar pressões sobre a inflação global e reduzir custos para economias fortemente dependentes de importação de energia — o Japão importa quase todo seu petróleo, majoritariamente via Ormuz. Para bolsas, a combinação de menor risco geopolítico e forte desempenho do setor de tecnologia favorece um apetite por ativos de risco na região.

Ao mesmo tempo, a reação dos mercados expõe riscos de curto prazo: a sustentação das bolsas e a continuidade da queda do petróleo dependem da efetividade e durabilidade de qualquer acordo. Se as negociações esfriarem ou novos eventos reanimarem a tensão no Golfo, a volatilidade pode retornar, reabrindo uma pressão inflacionária que desafia bancos centrais e políticas fiscais, especialmente em países importadores de energia.