As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta, com novas máximas históricas em Tóquio e Seul, impulsionadas por um rali nos papéis de tecnologia. O sul-coreano Kospi saltou 5,42%, a 8.930,30 pontos, com Samsung Electronics e SK Hynix subindo 5,3% e 13%, respectivamente. Em Tóquio, o Nikkei avançou 4,61%, a 72.366,34 pontos, com ganhos relevantes em nomes como Advantest (+15%) e Tokyo Electron (+7,8%). O movimento veio na esteira do balanço da americana Micron, que superou expectativas e elevou projeções, aliviando temores sobre cortes de gastos em infraestrutura de inteligência artificial.

O ambiente internacional também foi influenciado por notícias no setor de tecnologia dos EUA: a Qualcomm elevou seu guidance anual e anunciou parceria com a Meta, reforçando o otimismo sobre demanda por chips e componentes. Enquanto isso, a queda do petróleo pelo quarto dia consecutivo — diante de sinais de avanço em negociações entre EUA e Irã — contribuiu para um apetite maior por risco na região. Nem todos os mercados seguiram o mesmo tom: o Hang Seng caiu 1,43%, a 23.076,91 pontos, e a bolsa australiana S&P/ASX 200 recuou 0,68%, a 8.748,70 pontos.

Os ganhos na China continental foram modestos: Shanghai Composite subiu 0,23%, a 4.120,28 pontos, e o Shenzhen Composite avançou 0,72%, a 2.876,11 pontos. Em Taiwan, o Taiex ganhou 0,46%, para 46.255,26 pontos. A dispersão entre centros reflete fatores locais — desde sensibilidade a políticas monetárias até composição setorial das praças — e mostra que o avanço das techs não se traduz automaticamente em alta uniforme na Ásia.

Do ponto de vista prático, o episódio confirma que balanços corporativos podem redesenhar rapidamente a percepção de risco e atrair fluxo para setores específicos. Mas também expõe fragilidades: a concentração dos ganhos em semicondutores e tecnologia aumenta a sensibilidade dos índices a notícias setoriais. Investidores e autoridades devem acompanhar não apenas resultados trimestrais, mas a sustentabilidade da demanda por IA e o comportamento das commodities, que podem alterar tanto a inflação quanto os termos de troca regionais.