As bolsas da Ásia terminaram em baixa nesta sexta-feira, com o índice sul‑coreano Kospi desabando após ter alcançado uma máxima intradiária. O recuo do Kospi foi de 6,12%, para 7.493,18 pontos, puxado por perdas acentuadas em papéis de semicondutores: Samsung Electronics caiu 8,61% e SK Hynix recuou 7,66%. O tom negativo ganhou força não apenas pela ausência de anúncios concretos após a cúpula de dois dias entre os presidentes dos EUA e da China, mas também por riscos domésticos que atingem diretamente grandes empresas exportadoras.

Além da Coreia, outros mercados regionais registraram perdas: o japonês Nikkei recuou 1,99%, para 61.409,29 pontos; o Hang Seng cedeu 1,62%, a 25.962,73 pontos; e o Taiex ficou 1,39% menor, a 41.172,36 pontos. Na China continental, o Xangai Composto caiu 1,02%, a 4.135,39 pontos, enquanto o Shenzhen Composto teve baixa de 0,88%, a 2.861,46 pontos. Na Oceania, o S&P/ASX 200 em Sydney fechou com leve baixa de 0,11%, em 8.630,80 pontos.

O conteúdo das conversas entre Donald Trump e Xi Jinping inclui comércio bilateral, ampliação da cooperação econômica e a delicada questão de Taiwan. Investidores monitoravam sinais concretos, como compras chinesas de soja, carne bovina e aeronaves americanas. Relatos sobre a possibilidade de Pequim voltar a importar petróleo dos EUA foram recebidos com ceticismo: analistas lembram que anúncios de alto impacto no passado nem sempre se transformaram em compromissos executáveis. Paralelamente, a tensão entre EUA e Irã mantém o petróleo pressionado, reduzindo o apetite por ativos considerados mais arriscados.

A combinação de incerteza política e fatores específicos de empresas cria um cenário de maior volatilidade. No caso da Coreia, as negociações trabalhistas na Samsung — com sindicalizados exigindo fatia dos lucros e ameaça de greve — somam um risco operacional que agrava a queda das ações de tecnologia. Para mercados e formuladores de política, a lição é clara: acordos com forte componente simbólico não bastam; é preciso cláusulas verificáveis e cronogramas que respaldem investimentos. No curto prazo, a ausência de compromissos concretos tende a manter fluxos cautelosos e a tornar mais caro o prêmio de risco na região.