As bolsas asiáticas fecharam em forte alta nesta segunda-feira (15) após o anúncio de um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã que prevê a reabertura do Estreito de Ormuz. O Nikkei registrou ganho de 4,99% e bateu recorde em Tóquio, aos 69.317,50 pontos; o sul-coreano Kospi saltou 5,20%; e outras praças regionais também avançaram, com Shanghai subindo 1,61% e Shenzhen a 3,42%. Na Oceania, a bolsa de Sydney subiu 1,25%.
O movimento foi alimentado pela forte queda do petróleo: o Brent recuou mais de 5%, rondando US$ 83 o barril. A leitura dos mercados foi clara: a perspectiva de normalização do tráfego no Estreito — por onde passa parcela relevante do petróleo mundial — reduz temporariamente a pressão sobre preços de energia e, por extensão, sobre índices de inflação.
O comunicado envolvendo Washington e Teerã, confirmado também pelo Irã e mediado pelo Paquistão, prevê assinatura formal prevista para sexta-feira na Suíça e negociações adicionais nos próximos 60 dias. A condição provisória, porém, deixa espaço para riscos de reversão: a implementação depende de passos formais que ainda vão ocorrer, e os mercados seguem sensíveis a notícias de última hora.
Para autoridades monetárias, a combinação de queda do petróleo e maior visibilidade geopolítica muda o cenário de curto prazo. O anúncio chegou justamente numa semana de decisões de juros do Fed, do Banco do Japão e do Banco da Inglaterra, e pode reduzir — ao menos temporariamente — a exigência de respostas mais duras contra a inflação. Ainda assim, a melhora nos preços traz alívio condicional: se a trégua se mostrar frágil, novas oscilações em óleo e ativos poderão reaparecer.