As bolsas asiáticas abriram em alta nesta segunda-feira, com ações de tecnologia liderando a recuperação após um robusto relatório de empregos dos EUA. O movimento embalou índices como o Nikkei, que subiu 2,0%, e o da Coreia do Sul, que avançou 4,3%; as ações chinesas de primeira linha tiveram ganho mais modesto, de 0,2%, enquanto o índice MSCI da região (ex-Japão) ganhou 1,5%. Analistas destacam que a leitura do mercado combina otimismo com cautela em relação ao impacto sobre a inflação e a atuação do Federal Reserve.

No front das commodities, o petróleo reagiu à escalada de confrontos navais: segundo relatos, forças americanas atingiram três petroleiros iranianos e a Guarda Revolucionária do Irã lançou mísseis contra dois navios da Marinha dos EUA, levando Teerã a anunciar a criação de uma zona restrita fora do Estreito de Ormuz. O Brent subiu 1,1% para US$ 97,37 por barril, depois de subir quase 8% na semana passada; o petróleo americano avançou 1,2%, a US$ 92,57.

Os rendimentos dos títulos seguem como fator limitador para as ações: o Tesouro norte-americano de 10 anos rondou 4,7840%, próximo da máxima desde o fim de 2023. Há preocupação de que um IPC americano mais alto — o núcleo do índice de preços ao consumidor de agosto tem previsão mediana de 0,2%, com risco de 0,3% — empurre os yields rumo à barreira psicológica de 5,0% e force o mercado a revisar expectativas de aperto pelo Fed. Hoje já se precificam probabilidades relevantes de alta nas reuniões de setembro (58%) e outubro (70%).

No plano de política econômica e risco institucional, sinais da China também influenciam o apetite: o Ministério das Finanças liderará uma injeção combinada de US$ 54 bilhões em bancos e seguradoras estatais, enquanto previsões optimistas a respeito do Kospi — citadas por casas como o Goldman Sachs — ajudam a explicar fluxo para ações locais, ainda que parte dessas projeções tenha data e condicionantes. Em suma, a combinação de rendimentos elevados e uma maior conta do petróleo cria uma janela de vulnerabilidade para ativos mais sensíveis a valuation e para países dependentes de financiamento externo.

A agenda da semana, com o IPC dos EUA na sexta-feira e os próximos passos do Fed no radar, deverá definir se a recente recuperação se sustenta ou se o mercado volta a ajustar preços diante de maior risco inflacionário e de volatilidade geopolítica.