As bolsas asiáticas fecharam sem direção única nesta terça-feira, com feriados em mercados-chave e a atenção dos investidores voltada para os desdobramentos do conflito no Oriente Médio. Em Hong Kong, o índice Hang Seng recuou 0,76%, a 25.898,61 pontos, enquanto o Taiex, de Taiwan, avançou 0,16%, a 40.769,29 pontos. China, Japão e Coreia do Sul não operaram hoje em função de feriados, reduzindo liquidez e ampliando a sensibilidade a notícias pontuais.
Na madrugada o petróleo registrou queda, em movimento apontado como correção técnica após a alta de ontem provocada pela escalada entre Estados Unidos e Irã — que mantém um cessar-fogo frágil — e após um ataque iraniano nos Emirados Árabes Unidos. A oscilação do petróleo segue como o principal vetor de risco: eleva custos de energia, pressiona margens de empresas e alimenta incerteza sobre a trajetória da inflação global.
O banco central da Austrália (RBA) respondeu a esse choque de preços com nova alta de 25 pontos-base nos juros, a terceira seguida, elevando a taxa básica a 4,35%. A decisão pesou sobre a Bolsa de Sydney: o S&P/ASX 200 cedeu 0,19%, a 8.680,50 pontos. O endurecimento mostra o dilema dos bancos centrais — conter a inflação de oferta sem estrangular atividade — e acende alerta sobre o custo econômico de choques geopolíticos.
Para investidores e formuladores de política no Brasil, a combinação de volatilidade em commodities e aperto monetário em países desenvolvidos e avançados pode traduzir-se em maior pressão sobre preços domésticos e custo de capital. A cena internacional reforça a necessidade de atenção a dados de inflação, decisões de bancos centrais e ao desenrolar do conflito no Oriente Médio, que seguem determinando fluxo de capitais e risco para mercados emergentes.