As bolsas da Ásia encerraram o pregão desta quarta-feira sem direção única, com as ações de tecnologia liderando ganhos, mas com o cenário geopolítico temperando o apetite por risco. Em Seul, o índice Kospi subiu 2,25%, alcançando 8.228,70 pontos, novo recorde sustentado pelo otimismo em torno da inteligência artificial e pela alta de fabricantes de semicondutores — destaque para SK Hynix, que avançou 9,31%. A Samsung Electronics também ganhou força, subindo 2,68% após trabalhadores sindicalizados aceitarem uma proposta de bônus que afastou o risco de paralisação.
Em Tóquio, o Nikkei ficou praticamente estável em 64.999,41 pontos, mas papéis de tecnologia se destacaram, como Tokyo Electron (+2,1%) e Advantest (+4,05%). Em Taiwan, o Taiex avançou 1,68%, a 44.256,80 pontos, apoiado pela TSMC (+1,32%). Em contraste, os mercados chineses fecharam em baixa: Xangai Compósito recuou 1,25% (4.093,73) e Shenzhen caiu 1,30% (2.834,85); o Hang Seng de Hong Kong cedeu 1,06%, a 25.328,23 pontos, apesar de dados positivos sobre lucros industriais locais.
A indefinição sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã seguiu como fator limitador do apetite por risco na região. As notícias de aproximação diplomática convivem com incidentes recentes, o que mantém investidores cautelosos. No mercado de energia, o Brent recuou quase 4%, ficando perto de US$ 93 o barril, movimento que ajudou a derrubar cotações de alguns ativos ligados a commodities e a reduzir pressões imediatas sobre custos de energia.
Do ponto de vista político-econômico e institucional, o episódio expõe duas fragilidades: a concentração da alta em um grupo restrito de nomes de tecnologia e semicondutores, que eleva o risco de correção se o fluxo de capital mudar; e a sensibilidade dos mercados a choques geopolíticos que, mesmo amortecidos pela queda do petróleo, mantêm volatilidade. Para investidores e autoridades, o diagnóstico é claro: ganhos recentes não eliminam a necessidade de seleção setorial e vigilância sobre riscos externos que podem repercutir em inflação e receitas de exportação.