As bolsas asiáticas fecharam majoritariamente em alta nesta quarta-feira, revertendo perdas do dia anterior mesmo com o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã. O índice sul-coreano Kospi subiu 0,75%, a 6.690,90 pontos, marcando novo recorde, impulsionado por ações do setor de energia. Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 1,68%, a 26.111,84 pontos. Na China continental, o Xangai Composto ganhou 0,71%, a 4.107,51 pontos, e o Shenzhen Composto cresceu 1,66%, a 2.772,50 pontos. O Taiex, em Taiwan, foi a exceção e caiu 0,55%, a 39.303,50 pontos. No Japão não houve pregão por feriado.
O apetite por risco predominou na região, apesar da situação indefinida entre EUA e Irã, que manteve o petróleo em alta pelo terceiro dia seguido. O movimento beneficiou ações ligadas a energia e commodities, ao mesmo tempo em que alimentou cautela entre investidores pela persistente incerteza geopolítica. Quando os pregões já haviam encerrado, o presidente dos EUA publicou comentário público sobre o impasse, reforçando o tom de tensão nas negociações.
A combinação de petróleo mais caro e volatilidade externa tem implicações claras para a economia real: pressão sobre preços ao consumidor e custos de produção, impacto negativo sobre margens de empresas intensivas em energia e risco de maior inflação importada. Para países como o Brasil, esse cenário complica a agenda de responsabilidade fiscal e pode reforçar demanda por ações de política econômica para conter repasses de preços — um teste para governos que pregam ajuste e disciplina orçamentária.
Em resumo, os mercados demonstram que ainda há appetite por risco na Ásia, mas a persistência do conflito diplomático funciona como um freio: eleva o prêmio de risco do petróleo e adiciona camada de incerteza para bancos centrais e ministérios da Fazenda. Investidores continuarão a acompanhar de perto sinais de avanço nas negociações e qualquer movimento que possa alterar a dinâmica de oferta de petróleo nas próximas semanas.