As bolsas da Europa fecharam sem direção única nesta sexta-feira, em um dia de apetite por risco reduzido enquanto investidores tentavam medir a solidez do memorando de entendimento entre EUA e Irã. Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,41%, a 10.356,90 pontos, impactado também por incertezas políticas locais após a vitória de Andy Burnham. Frankfurt ficou estável (DAX em 25.026,61 pontos) e Paris perdeu 0,55% (CAC 40 a 8.421,14). Na Itália, o FTSE MIB avançou 0,31% e em Lisboa o PSI 20 subiu 0,69%; Madri cedeu 0,16%. O feriado de Juneteenth nos EUA reduziu a liquidez e acentuou a volatilidade.
No centro das preocupações está a trajetória dos juros. Apesar da assinatura do acordo entre Washington e Teerã, banqueiros centrais seguem cautelosos. O economista‑chefe do BCE, Philip Lane, classificou o choque de preços na zona do euro como de porte médio, apontando para uma resposta de política monetária moderada. Por outro lado, o dirigente belga Pierre Wunsch admitiu que um novo aperto em julho é possível caso as pressões inflacionárias se disseminem. Na Alemanha, o índice de preços ao produtor subiu 2,2% em maio na comparação anual, reforçando a necessidade de vigilância.
A combinação de risco geopolítico e dados macro levou a um comportamento seletivo no mercado: ações ligadas a notícias corporativas se destacaram, enquanto a maioria dos setores permaneceu conservadora. Em Paris, a Sanofi avançou 0,3% após aprovação no Japão de uma formulação subcutânea de seu medicamento oncológico. Em Copenhague, a Vestas saltou 5,3% depois de ganhar espaço no radar de catalisadores positivos do JPMorgan, mas esses ganhos foram pontuais diante do quadro mais amplo de hesitação.
O resultado é um mercado que olha para frente com duas perguntas principais: o acordo entre EUA e Irã será capaz de reduzir de forma consistente o prêmio de risco regional? E até que ponto os bancos centrais vão priorizar a luta contra a inflação sem apertar demais a atividade? Para investidores e formuladores de política, o dia reforça que qualquer melhora geopolítica ainda pode ser frágil, enquanto a política monetária permanece como fator decisivo para a avaliação de ativos e custo do crédito.