As principais bolsas europeias fecharam com leve alta nesta segunda-feira (20), em sessão marcada pelo recuo dos preços do petróleo diante de sinais de possível retomada do diálogo entre Estados Unidos e Irã. As cotações eram preliminares: FTSE 100 de Londres caiu 0,71% a 10.524,76 pontos; DAX subiu 0,12% a 24.861,67; CAC 40 avançou 0,02% a 8.340,11; FTSE MIB recuou 0,04% a 51.862,79; Ibex 35 subiu 0,07% a 19.229,80; e PSI 20 ganhou 0,09% a 9.070,71.

O alívio no petróleo ajudou a melhorar o apetite por risco na maior parte dos mercados, mas as tensões no Oriente Médio permanecem como um fator de risco para a inflação via preços de energia. Na Alemanha, o PPI desacelerou para alta anual de 1,8% em junho e teve queda de 0,3% na comparação mensal — sinais que reforçam a leitura de moderação na pressão de custos.

No campo da política e da confiança, Londres se destacou negativamente. Investidores venderam ações após a posse de Andy Burnham como primeiro‑ministro e a notícia da renúncia da ministra das Finanças, Rachel Reeves. Circulam declarações sobre possibilidade de usar uma “flexibilidade” nas regras fiscais, informação que contribuiu para elevar a incerteza e pressionar o mercado britânico, mesmo sem mudança imediata nas regras fiscais em si.

A agenda corporativa também teve impacto setorial: a Ryanair caiu quase 5% após reportar queda no lucro trimestral devido a tarifas menores e custos de combustível mais altos. As ações de tecnologia registraram leve alta de 0,2% no dia, com a STMicroelectronics subindo quase 2% e a ASML devolvendo ganhos (-0,4%). No setor aeroespacial, a Airbus recuou 0,9% apesar do anúncio de encomendas da Riyadh Air. No conjunto, a combinação entre alívio geopolítico, dados de preços e balanços corporativos mantém os mercados em compasso de espera: a expectativa por sinais claros do BCE e a volatilidade política no Reino Unido podem comandar os próximos movimentos.

Para os investidores e formuladores de política, o cenário reforça a necessidade de prudência. A melhora temporária nos preços de energia não elimina a possibilidade de novos choques; e com Christine Lagarde apontada por analistas como inclinada a manter tom firme, a margem para surpresa nos juros europeus continua presente — um fator que pode traduzir o alívio de hoje em mais volatilidade amanhã.