As bolsas europeias operavam em baixa na manhã desta quarta-feira (29), com o índice pan-europeu Stoxx 600 registrando recuo de 0,33%, a 644,77 pontos, por volta das 6h30 (horário de Brasília). O movimento acompanhou a retomada da alta do petróleo Brent, que avançou mais de 3,5% após ataques conjuntos dos Estados Unidos e da Arábia Saudita no Iraque, reacendendo o risco de escalada no Oriente Médio e reajustando o preço do risco global.
Setores tiveram desempenho divergente: o subíndice de viagem e lazer caiu 1,10%, pressionado pela aversão ao risco, enquanto o segmento de petróleo e gás subiu 1,4%, dando sustentação ao mercado britânico, com maior presença de petrolíferas. Entre empresas, a Telefónica recuou 2% em Madri, mesmo após elevar seu guidance de geração de caixa; já o Deutsche Bank subiu 3,2% em Frankfurt após anunciar nova recompra de ações, reação típica a resultados acima do esperado.
Investidores europeus também monitoravam com atenção a decisão de política monetária do Federal Reserve. A expectativa predominante é de manutenção das taxas, mas o mercado busca sinais sobre o rumo dos juros nos EUA e possíveis indicações para setembro. Em cenário de tensão geopolítica e preços de energia em alta, qualquer dica de aperto adicional nos juros pode pesar sobre ativos de risco.
No quadro geral, a combinação de risco geopolítico e balanços corporativos torna os mercados mais seletivos: ativos atrelados à energia ganham fôlego, enquanto setores sensíveis ao ciclo e ao turismo enfrentam pressão. O episódio reforça a vulnerabilidade das praças europeias a choques externos e a necessidade de prêmios de risco mais elevados, com potencial impacto para custos de financiamento e para a estabilidade econômica regional.