As bolsas da Europa encerraram a sessão desta quarta-feira majoritariamente em baixa, refletindo a cautela dos investidores diante da retomada de ataques entre Estados Unidos e Irã. Na pauta, o FTSE 100 de Londres caiu 0,40% (10.332,30 pontos), o DAX de Frankfurt recuou 1,24% (24.811,63), e o CAC 40 em Paris perdeu 0,71% (8.150,42). Em Milão e Madri, FTSE MIB e Ibex 35 também fecharam no vermelho, com exceção de Lisboa, onde o PSI 20 subiu 0,46%. As cotações divulgadas são preliminares e refletem um mercado que penaliza risco geopolítico.
O novo ciclo de atritos navais — com o Irã condenando um ataque americano a um petroleiro e a sugestão do ex-presidente Donald Trump de que o Estreito de Ormuz poderia permanecer bloqueado até setembro — reacendeu dúvidas sobre a reabertura de uma rota crítica para o comércio de energia. Analistas do Saxo Bank apontam que o pessimismo voltou a crescer sobre um acordo entre Washington e Teerã, enquadramento que eleva o prêmio de risco e amplia volatilidade nas praças financeiras.
Ao mesmo tempo, dados econômicos e decisões comerciais complicaram o diagnóstico: o PPI (preço ao produtor) da zona do euro acelerou para 4,9% em abril na comparação anual, ante 2,1% em março, pressionando expectativas de inflação. Apesar disso, o dirigente do BCE Pierre Wunsch afirmou que um eventual acordo de paz não deve alterar a perspectiva de alta de juros na reunião da próxima semana. A proposta dos EUA de criar tarifas adicionais sobre importações da UE adiciona um componente comercial que pode penalizar crescimento e alimentar pressões inflacionárias.
No mercado setorial, o setor de tecnologia sustentou ganhos, impulsionado pelo otimismo com inteligência artificial; papéis como ASML, ASM International e BE Semiconductor avançaram mais de 1%. A União Europeia lançou um pacote para fortalecer indústria de IA e chips, resposta ao movimento de competição estratégica. Em contraste, Akzo Nobel despencou 17,37% após fracassarem propostas de aquisição. Para investidores e formuladores de política, o cenário combinado de risco geopolítico, aceleração do PPI e tensões comerciais eleva o custo do risco, complica a normalização monetária e exige atenção à capacidade de resposta institucional.